O progresso técnico deixará apenas um problema: a fragilidade da natureza humana.
Karl Kraus
Em praticamente todas as sessões de quimioterapia, minha mãe, também, esteve comigo e voltava, em média, para sua residência (fora da capital) após 3 dias.
As primeiras 4 sessões (vermelhas), tinham um intervalo de 3 semanas, entre uma e outra, para que o organismo conseguisse se recuperar do "ataque" que sofria.
Desta forma, passei muitos dias sozinha, por preferir ficar em minha casa, sendo monitorada, pela família, a distância.
Passados alguns dias da primeira aplicação, tive problemas com meu sistema imunológico e a temida febre, neste contexto, veio, mas veio "leve".
Liguei para minha irmã, que prontamente veio me "socorrer", pois a orientação médica era: "37,8° C? Corra para o Pronto Socorro e me ligue do caminho" - palavras do oncologista.
Chegando ao Pronto Socorro, do hospital no qual faço meu tratamento, fui prontamente atendida e como a febre não estava alta, a médica (recém-formada) explicou que faríamos um hemograma completo e, dependendo dos resultados, pediria outros exames depois.
Com os resultados em mãos, a médica tentava falar, por telefone, com meu oncologista, mas como já era madrugada, ele não atendia suas ligações.
Entre uma chamada e outra, ouvia a médica dizer que se não conseguisse o contato, me mandaria de volta para casa com uma receita de antibióticos, pois, em sua opinião, "meu risco era baixo".
Após ouvir isto umas três vezes, perguntei o que ela queria dizer com "risco baixo", ao que respondeu como se fosse óbvio:
- Risco de óbito...
Desde o recebimento do diagnóstico de câncer de mama, recebi tanto apoio das pessoas que me cercam, com palavras positivas, de fé e de ânimo, que chegava a esquecer a gravidade do que tinha.
Resumindo o que senti, naquele momento: aquela resposta da médica e sua expressão corporal, me trouxeram para a Terra, novamente, em questão de segundo.
Olhei para minha irmã pedindo socorro, já com as lágrimas molhando meu rosto, enquanto sentia a fragilidade da vida.
Quantas vezes tive febre ao longo dos meus 50 anos... mas nunca tinha estado tão vulnerável, ao ponto de sentir-me no limiar dos "mundos"...
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