Para ganhar aquilo que vale a pena ter, pode ser necessário perder tudo mais.
Bernadette Devlin
Terminado o tratamento quimioterápico, começamos os preparativos para a cirurgia.
Os exames indicavam que a terapia neoadjuvante havia alcançado seu objetivo: diminuir os nódulos para uma margem maior de sucesso com a mastectomia.
Durante os dias que antecederam a retirada de minha mama esquerda, ao sair do banho, parava na frente do espelho e me despedia daquela imagem, sem conseguir visualizar, mentalmente, como seria a que a substituiria... dias de tristeza, insegurança e medo.
O "Dia D" chegou e fui para a internação acompanhada por amigas e familiares.
Dispensei o "sossega leão" para descer para a sala de cirurgia. Antes do procedimento, aguardei, algum tempo, numa sala de recuperação, com vidros do chão ao teto, que me permitiam ver o dia lá fora. Era um dia cinza, frio, feio, mas rezava por vê-lo novamente.
Enfim, chegou o momento... não havia como fugir daquela perda, restava-me a fé!
O anestesista pegou uma veia em minha mão direita e disse: vai doer. Perguntei: você vai me apagar logo? E apaguei.
Quando abri meus olhos novamente, estava na mesma sala de recuperação e minha cabeça estava voltada para os vidros, que me mostravam uma tarde de sol linda, típica da primavera! Chorei, em agradecimento!
Naquele dia, fiz uma troca: perdi "um pedaço de mim" para ganhar a possibilidade de continuar vivendo.
https://www.google.com.br/search?q=vida&hl=pt-BR&rlz=1C1GCEA_pt-BRBR758BR758&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj-9suOg7PcAhXLDpAKHSfNDIcQ_AUICigB&biw=1366&bih=662#imgrc=lHe48wUgFXk93M:

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