domingo, 17 de dezembro de 2017

Diferente

O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente.
Carl Sagan



Ainda afundada no sofá, voltei, mentalmente, ao dia do exame.

Minha avó, há meses, concentrava a energia familiar em atender suas necessidades de saúde e consegui aquele tempinho para fugir do trabalho e realizar o controle anual, de rotina. A radiologista, muito falante e simpática, tentava, com naturalidade, aliviar a tensão expressa em meu corpo - estado comum, aos meus músculos, sempre que tal exame chegava a seu tempo. Muito delicada e profissional, tirou as 4 chapas costumeiras e pediu para que ali eu permanecesse, enquanto verificava a qualidade da imagem das mesmas. Minutos depois, voltou e pediu para que repetíssemos a "chapa" lateral da mama esquerda.

Como veterana, fazendo estes exames há 16 anos e já tendo passado por algumas repetições, 2 ou 3 vezes, agi com normalidade e disposição.

Repetição concluída, fui dispensada para me vestir e me encaminhar para o próximo exame: a ultrassonografia mamária.

Na sala de espera, lendo um livro, fui surpreendida pela aparição da tal radiologista, que, sem cerimônia, deu um "graças a Deus", por eu ainda estar no laboratório, pois, assim, pouparia meu retorno ao mesmo, já que se fazia necessário repetir o exame, com mais apuro, da mama esquerda.

Sentada, ainda, senti o pânico percorrer meu corpo, como quando a notícia não é boa e por mais que se saiba dos riscos, nunca se está preparada...

Reuni o pouco de racionalidade que estava "à minha mão" e a acompanhei, tentando esconder minha fraqueza.

Não guardei o nome da profissional (uma falha), que manteve seu espírito leve e alegre, na produção de mais duas imagens da referida mama.

Esta moça, exemplo de doação ao ser humano, foi a primeira profissional a dar a atenção merecida às "manchas" que visualizou.

Voltando à espera da ultrassonografia, encontrei uma médica, espalhafatosa, que mal permitiu que eu lhe contasse sobre o "achado" da radiologista, desfazendo-se do conhecimento da mesma, pois quem era a médica "era ela"!

Recobrada de seu acesso de estrelismo, a médica foi delicada no exame, mas me assegurou que nada havia de errado com minhas mamas e que eu podia ficar tranquila.

Com este "veredicto", saí dali e voltei ao looping "casa-marido-trabalho-vozinha".




https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&tbm=isch&source=hp&biw=1366&bih=662&ei=glE2WpfyLYyhwAS-r4TYAg&q=mol%C3%A9culas&oq=mol%C3%A9cul&gs_l=img.1.0.0l10.2898.9521.0.11932.15.9.2.4.2.0.281.1018.1j5j1.7.0....0...1ac.1.64.img..2.8.947.0..35i39k1.0.WFTKYseTXz4#imgrc=KRKwln5GdWSTpM:

Um comentário:

  1. Ouso divergir do Carl Sagan. O Universo não é indiferente. Ele sempre reage, de uma forma ou de outra.
    Como sei disso.
    Um dia lhe conto...��

    ResponderExcluir